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Lula discute caso Battisti com advogado-geral
A pressão exercida pelo governo italiano nos últimos
dias - pelo menos quatro ministros de Estado elogiaram a decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF) de pedir a extradição de Cesare
Battisti - reforçam o argumento dos defensores do ativista político
de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve mantê-lo no
Brasil. Segundo fontes do Executivo, as declarações ostensivas
dos italianos demonstram que Battisti sofre perseguição política
e corre risco de vida se for extraditado para a Itália.
Lula reuniu-se ontem com o advogado-geral da União, Luís Inácio
Adams, para examinar a situação. O presidente não precisa
tomar sua decisão agora. Mesmo depois de ser oficialmente comunicado
pelo STF, com a publicação dos acórdãos, não
existe nenhuma referência na legislação sobre prazos para
definição deste tipo de assunto. "Será o prazo conveniente
para o Estado brasileiro", disse o ministro da Justiça, Tarso
Genro.
Segundo o ministro, o presidente tomará sua decisão "em
função do interesse do país, de sua soberania e posição
no cenário internacional". Mas acrescentou que, qualquer que seja
a definição do caso, ela não será desautorizativa
nem ao Supremo, nem ao ministro [da Justiça]", completou.
A situação de Battisti no Brasil não se resolve apenas
com a decisão do presidente. Caso Lula negue o pedido de extradição,
o italiano terá que resolver várias pendências com a Justiça
brasileira. Ao ser preso no Rio de Janeiro, em 2007, ele tinha um passaporte
falso de cidadão francês. Um processo por falsificação
de documentos tramita na Justiça Federal do Rio. Os advogados de Cesare
Battisti poderão pedir um habeas corpus para que ele responda ao processo
em liberdade.
Se for libertado, Battisti não poderá ser considerado um refugiado
político, já que o STF, no julgamento do mérito do processo,
retirou-lhe este benefício. Ele passaria, então, a ser considerado
imigrante ilegal e teria que pedir a regularização da sua situação
no Ministério da Justiça - Pasta comandada por Genro e que pediu
o status de refugiado para Battisti. "Se para o Ministério da
Justiça ele é um perseguido político, não haveria
qualquer dificuldade para conceder o visto de migrante legal", confirmou
ao Valor um assessor que acompanha os desdobramentos do caso.
Para isso, ele teria que comprovar residência fixa e fonte de renda.
Segundo fontes do governo, Battisti ainda poderia, caso seja solto, pedir
novamente o status de refugiado político, que lhe colocaria em outro
patamar de estrangeiros residentes no país. "Mas esta é
uma decisão que cabe aos advogados de defesa dele", ressaltou
esta fonte.
Mas se Lula resolver seguir a indicação do STF e extraditar
Battisti, o processo, mesmo assim, não seria imediato: o Supremo impôs
uma série de condicionantes, como a redução da pena para
30 anos - na Itália, Battisti está condenado à prisão
perpétua. E que o tempo de prisão no Brasil seja debitado da
pena total. "O governo italiano precisará aceitar estes pontos.
Caso contrário, Lula poderá negar-se a liberar o ativista",
completou uma fonte do governo.
Fonte: clipping TRF-1