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Juízes querem mudar regras de indicação para Supremo
Associação de magistrados diz que proposta quer diminuir caráter
político da escolha do presidente
A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) vai entregar
nesta quarta-feira (04) ao Congresso uma PEC (Proposta de Emenda à
Constituição) que visa alterar os critérios de escolha
para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A proposta, dizem os juízes,
quer estabelecer regras objetivas para que o presidente da República
faça a indicação, reduzindo o caráter político
da escolha.
Hoje, o chefe do Executivo indica um nome e o Senado tem que aprová-lo em votação no plenário após uma sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa. O pretendente à mais alta corte do país precisa receber o voto da "maioria simples" dos senadores (metade mais um). A idade mínima para o cargo é 35 anos.
A proposta que vai para o Congresso amanhã estabelece que os próprios
ministros do Supremo elaborarão uma lista de seis nomes que será
enviada ao presidente para que ele escolha um. O escolhido teria então
que passar por duas votações no Senado, uma na CCJ e outra no
plenário, sendo que em ambas seria exigido uma aprovação
de 2/3 dos senadores. Além disso, a idade mínima subiria para
45 anos - e os indicados precisariam ainda ter 20 anos dedicados à
atividade jurídica.
A PEC impede ainda a participação na lista de quem, nos três
anos anteriores, tenha exercido os cargos de ministro de Estado, secretário
estadual, procurador-geral da República, advogado-geral da União,
cargo de confiança no Poder Público, qualquer cargo eletivo
ou estivesse filiado a algum partido político. Além disso, metade
da corte teria de ser composta por juízes de carreira - hoje, apenas
o ministro Cezar Peluso tem como origem a magistratura.
- Temos quase 20 mil juízes no país. Não teremos dificuldade de encontrar magistrados de carreira qualificados para se tornarem ministros - afirmou o presidente da AMB, Mozart Valadares.
O autor da proposta na Câmara será o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). Para que seja protocolada e comece a tramitar, a PEC precisa da assinatura de 171 deputados.
- Logo que ela for protocolada, vamos pedir a designação do
relator e o encaminhamento do texto para a CCJ. Não vamos protocolar
apenas para dar uma satisfação à magistratura ou para
a sociedade - completou Valadares.
Se as regras propostas pela AMB já estivessem valendo, o mais novo
membro do STF, José Antonio Dias Toffoli, não poderia ter sido
indicado para a corte. Ele tem menos de 45 anos, era advogado-geral da União
até tomar posse no Supremo.
Fonte: clipping TRF-1