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Intocáveis comandam inspeções do CNJ
Equipe de corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, é formada por quatro juízes-auxiliares e tem apoio de Gilmar Mendes Procedimento adotado por conselho durante inspeções em tribunais estaduais é alvo de crítica de entidade, que vê "execração pública"
O corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça, defende que o CNJ está passando o Judiciário a limpo com as inspeções realizadas em tribunais estaduais, apesar de protesto da entidade que representa os magistrados contra essas audiências públicas, sob a alegação de que expõem juízes à execração pública.
Com uma equipe de apenas quatro juízes-auxiliares -conhecidos no
Conselho Nacional de Justiça como "Os Intocáveis"-
Dipp conta com o apoio do ministro Gilmar Mendes, presidente do CNJ e do STF
(Supremo Tribunal Federal).
O CNJ já realizou inspeções em Minas (Justiça
Federal), Bahia, Piauí, Amazonas, Pará, Maranhão, Alagoas,
Paraíba, Espírito Santo e Rio Grande do Sul (Tribunal Militar).
O órgão realiza audiências públicas nos Estados,
com a presença de representantes da Associação dos Magistrados
Brasileiros, membros do Ministério Público, da Defensoria Pública
e da Ordem dos Advogados do Brasil. Pessoas se inscrevem para fazer queixas
e denúncias sobre a Justiça local.
Para formar a força-tarefa, Dipp requisitou inicialmente dois magistrados
de sua confiança e com perfil semelhante ao seu (do RS e experientes
em julgar crimes financeiros e de lavagem de dinheiro): José Paulo
Baltazar Júnior e Salise Monteiro Sanchotene, de varas criminais de
Porto Alegre.
Em 2006, na gestão da ministra Ellen Gracie na presidência
do CNJ, Baltazar participou de comissão que apresentou proposta para
regulamentar a situação dos presos provisórios.
Sanchotene tem experiência na área de direito penal. Teve atuação
destacada nos trabalhos da Encla (Estratégia Nacional de Combate ao
Crime de Lavagem). Ficou à disposição de Joaquim Barbosa,
no STF, na elaboração do voto que recebeu a denúncia
do mensalão.
A esse grupo juntou-se Ricardo Chimenti, juiz de direito em São Paulo, e o juiz Friedmann Anderson Wendpap, da 1ª Vara Federal de Curitiba, mestre em direito internacional.
Críticas
Em ofício enviado ao corregedor, a Anamages (Associação Nacional dos Magistrados Estaduais) faz críticas aos procedimentos utilizados pelo CNJ.
"Nas audiências públicas realizadas por esse conselho,
tem sido rotina aceitar reclamações contra autoridades judiciárias
em público, de viva voz, expondo à execração pública
desembargadores e juízes, tudo a depor contra a própria imagem
do Poder Judiciário", afirma o desembargador Elpídio Donizetti,
presidente da Anamages, no ofício.
Segundo Gilmar Mendes, porém, "alguns presidentes de tribunais
do Sul têm pedido que realizemos inspeções e audiências
públicas". Ele afirma que o CNJ mudou o foco: a corregedoria faz
as inspeções, são fixadas as orientações
e o conselho procura levar assistência técnica para ajudar os
tribunais.
A partir das inspeções, o CNJ abriu processos disciplinares,
identificou casos de corrupção e de nepotismo. Pela primeira
vez, afastou um corregedor de Justiça (no Amazonas).
Para a Anamages, as reclamações contra magistrados deveriam
ser formuladas por escrito e submetidas a sigilo. Pede ainda que o CNJ deixe
de noticiar a instauração de procedimentos disciplinares contra
juízes, citando nomes.
fonte: clipping TRF-1