![]() |
|
Falar em 3º mandato ou em alongar os atuais é casuísmo, afirma Gilmar
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, chamou de casuísmo a proposta de emenda constitucional para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa disputar o terceiro mandato consecutivo e a que estende por dois anos os atuais mandatos do presidente, de governadores, deputados e senadores. Segundo Gilmar, se aprovadas no Congresso, dificilmente as propostas serão referendadas pela Corte.
Dos 11 integrantes do STF, pelo menos cinco deles, ouvidos pelo GLOBO, são
contra a possibilidade do terceiro mandato.
Acho extremamente difícil fazer a compatibilização com
o princípio republicano. As duas medidas têm muitas características
de casuísmo. Vejo que dificilmente seria aprovado no STF - disse o
ministro ontem, após dar palestra na Embaixada da Alemanha, em Brasília.
Gilmar ponderou que a reeleição existe em vários países,
mas que a prática continuada é incompatível com a democracia:
Democracia constitucional é mais do que reeleição. A
reeleição continuada, que pode ser a quarta, a quinta, não.
Certamente seria uma lesão ao princípio republicano.
Caso aprovada a emenda que prevê a possibilidade de o presidente Lula
disputar o terceiro mandato, e ela seja um dia julgada pelo STF, a tendência
é que seja derrubada. Além de Gilmar, Carlos Ayres Britto e
Marco Aurélio Mello já se manifestaram, no ano passado, contra
o terceiro mandato consecutivo.
Dois outros ministros declararam recentemente ao GLOBO, em caráter
reservado, que também são contra a proposta.
- O terceiro mandato recende a uma postura antirrepublicana - já dizia
Ayres Britto ao GLOBO ano passado.
- Caminhar agora para o terceiro mandato é adotar posição
contrária aos ares democráticos republicanos - disse Marco Aurélio,
também em entrevista recente.
- A alternância de poder é essencial para haver democracia
- concordou um outro ministro, reservadamente.
A hipótese tem sido cogitada por aliados do governo, caso os problemas
de saúde inviabilizem a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa
Civil) à Presidência em 2010. Lula, porém, tem negado
o desejo de disputar nova reeleição.
Peemedebista: "Terceiro mandato é palavrão"
No Congresso, os governistas tentam esfriar o debate. O líder do
PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que a ideia do deputado
Jackson Barreto (PMDB-SE) de apresentar emenda marcando plebiscito em setembro
sobre terceiro mandato é iniciativa isolada: - Essa questão
de terceiro mandato não existe, é palavrão.
E prorrogação de mandato tem chance zero.
O líder da bancada na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP),
adotou o mesmo tom: - O PT defende o estado democrático de direito,
e não é legal nem legítima a prorrogação
de mandatos. Sobre terceiro mandato, a discussão é uma tolice.
O PT tem candidato, que é a Dilma, e Lula não é candidato.
Estão querendo fabricar notícia diferente da notícia real.
A oposição, por sua vez, critica o debate: - Quando o assunto começa a ser tratado como moeda de troca pelo PMDB, para pequenos golpes oportunistas, em busca de cargos e de poder, ele revela sua face golpista - afirmou o presidente do PPS, Roberto Freire.
Fonte: clipping TRF-1