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Ações judiciais custaram R$ 33,5 bi
As ações da Justiça brasileira custaram
R$ 33,5 bilhões aos cofres públicos em 2008. O número
consta na pesquisa Retratos da Justiça divulgada ontem pelo Conselho
Nacional de Justiça (CNJ). O dado envolve despesas das justiças
federal, estadual e trabalhista, que no ano passado foram responsáveis
pela tramitação de 70,1 milhões de processos, distribuídos
para os 15.731 magistrados.
De acordo com o levantamento - que não leva em consideração
números do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de
Justiça (STJ)-, os maiores gastos foram identificados pelos tribunais
dos 26 estados e do Distrito Federal, com R$ 19 bilhões. Na sequência,
aparecem a justiça trabalhista, que gastou R$ 9,2 bilhões, e
a Justiça Federal, com R$ 5,2 bilhões.
Ao comentar o resultado da pesquisa, o presidente do CNJ, ministro Gilmar
Mendes, criticou o excesso de judicialização e afirmou que a
Justiça precisa encontrar um novo método para garantir uma assistência
jurídica rápida no país.
Temos enfatizado ao longo do tempo a necessidade de que o CNJ se dedique a
coordenação e planejamento da prestação do serviço
jurisdicional. Temos uma massa de processos em tramitação que
assusta em geral, provocando aquela sensação de que há
alguma impropriedade e a confirmação com frustração
de que exageramos no excesso de judicialização, disse.
O presidente do STJ, Cesar Asfor Rocha, reforçou as críticas.
É através de números que temos diante dos nossos olhos
a constatação de que uma coisa não vai bem. Quando ministros
do STF e do STJ recebem a cada dia útil a distribuição
de 40 ou 50 processos, vemos também que alguma coisa não vai
bem.
Entre os 70,1 milhões de processos, o Estado de São Paulo é
o que registra o maior número de ações. O Tribunal de
Justiça de São Paulo tem atualmente 23 milhões de processos.
No ranking, o segundo colocado é o Tribunal de Justiça do Rio
Grande do Sul (5,5 milhões de ações), seguido por Minas
( 4,3 milhões de processos.
A Justiça brasileira recebeu no ano passado dois milhões de
novos processos. A média de congestionamento das três justiças
é de 69% -na justiça federal é de 59%, na estadual de
73%, e na justiça do trabalho de 45%.