| MPF
tenta retomar cassação da VarigLog
Alberto Komatsu, RIO
O
Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal informou
ontem que recorreu da liminar da Justiça Federal de Brasília
que impede que a Agência Nacional de Aviação Civil
(Anac) dê início ao processo de cassação da
concessão da VarigLog e analise a nova composição
acionária da controladora da empresa, a Volo do Brasil.
O MPF informa que ajuizou agravo de instrumento no Tribunal Regional Federal
da 1ª Região, na quinta-feira passada, por meio do procurador
Paulo José Rocha Júnior.
O objetivo é revogar a liminar concedida pela 14ª Vara Federal,
em Brasília, a favor dos sócios brasileiros da VarigLog
Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel. Eles foram afastados
judicialmente da gestão da companhia e da sociedade com o fundo
americano de investimentos Matlin Patterson por gestão temerária.
Essa liminar impediu que a Anac iniciasse o processo de cassação
da concessão da VarigLog até que seja resolvido o litígio
judicial travado entre os brasileiros e o Matlin.
A VarigLog tinha até o dia 7 de julho para se readequar às
regras do setor, que determinam limite de 20% de capital estrangeiro em
companhia aérea brasileira. Como os brasileiros foram afastados
pela Justiça paulista, a empresa passou a ser controlada 100% pelo
Fundo Matlin Patterson.
A liminar obtida pelos brasileiros também impede que a Anac analise
a proposta do Matlin Patterson de nova composição acionária
na Volo do Brasil para se enquadrar na legislação do setor
aéreo. Essa mudança foi apresentada na véspera da
data final que a Anac estabeleceu para iniciar a cassação
da concessão da VarigLog.
Por essa proposta, a Volo do Brasil passaria a ser controlada por Chan
Lup Wai Ohira, irmã do investidor Lap Wai Chan, representante do
Matlin Patterson no Brasil, que originalmente tem 20% do capital votante
da VarigLog.
Chan Lup é chinesa naturalizada brasileira. Seu irmão é
nascido na China. A proposta de mudança na composição
societária da Volo inclui o funcionário do Matlin Peter
Miller, brasileiro nato. Chan Lup ficaria com 51% do capital votante que
pertencia aos brasileiros e Miller teria os 29% restantes.
"O MPF informa ainda que zelará para que a Anac exerça
corretamente suas atribuições legais, de modo a impedir
que situações como a presente se repitam no futuro. Nesse
sentido, encaminhou, em 10 de julho, ofício à presidente
da agência, Solange Paiva Vieira, solicitando informações
sobre as medidas adotadas pela Anac para verificar a origem de capital
dos candidatos a novos sócios da VarigLog. A agência tem
15 dias para enviar as informações solicitadas", informou
o MPF.
Fonte:
Clipping do TRF-1
|