|
Justiça
proíbe coleta de digitais
Uma decisão do Tribunal Regional
Federal da 1ª Região (TRF1) coloca em xeque o sistema antifraude
adotado pelo Centro de Seleção e de Promoção
de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) utilizado na
aplicação de provas do vestibular e de concursos públicos.
O tribunal considerou que a coleta de digitais é ilegal e fere
a Constituição. O sistema é utilizado há 12
anos pela instituição.
As digitais dos candidatos são coletadas para evitar fraudes nos
processos seletivos. Atualmente, o Cespe está com quatro processos
seletivos com inscrições abertas (incluindo vestibulares
e concursos) e sete em andamento. De acordo com a Assessoria de Imprensa,
haverá uma prova de concurso do Ministério Público
de Rondônia neste final de semana - com a decisão em vigor.
Para reverter essa decisão, o Cespe - órgão federal
- acionou a Advocacia Geral da União (AGU), que entrou com um recurso
extraordinário. Entretanto, ainda não há data para
o recurso ser julgado. A decisão do TRF1 veio de encontro a uma
ação protocolada pelo Ministério Público Federal
do Distrito Federal, que quer impedir que o Cespe submeta os candidatos
a este tipo de identificação, alegando que essa é
uma identificação criminal. O pedido foi julgado improcedente
na primeira instância da Justiça Federal, mas o MPF recorreu
e o TRF concordou com a ação.
Recurso
Em seu recurso, a AGU alega que o procedimento de coleta de digitais não
tem relação com a identificação criminal,
a que se referem o artigo 5º da Constituição Federal
e a Lei 10.054/00. Segundo a AGU, a norma constitucional citada assegura
que "o civilmente identificado não será submetido à
identificação criminal, salvo nas hipóteses legais",
bem como o artigo 3º da lei em questão.
Além disso, a AGU diz que a coleta das digitais feita pelo Cespe
não é criminal, porque tem o objetivo apenas de garantir
a autenticidade do documento apresentado pelo inscrito e não afeta
a sua imagem, pois se aplica, indistintamente, a todos os candidatos.
A coleta de digitais é feita com um adesivo. O candidato marca
o dedo neste adesivo e o documento é colado na prova. Todos os
candidatos recebem um paninho com álcool para limpar o dedo antes
de começar a prova.
A coleta das digitais na prova não é feita exclusivamente
pelo Cespe. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), por exemplo,
vai adotar o procedimento em todos os candidatos a partir deste ano no
vestibular. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também
vai usar o mesmo método nas provas e no ato da matrícula
dos candidatos.
Demissão
Essa não foi a única novidade do dia. Alegando motivos de
ordem pessoal, o diretor-geral do Cespe/UnB, Mauro Luiz Rabelo, pediu
afastamento temporário do cargo ontem. Ao aceitar o pedido, o o
reitor pro tempore enalteceu o desempenho de Rabelo na instituição.
"É preciso destacar e agradecer o trabalho do professor Mauro
Rabelo, que começou a recuperar o Cespe após uma grave crise
e por ter tido a capacidade de levantar a imagem da instituição,
que havia sido afetada por aquela crise", disse Aguiar. O professor
titular do Instituto de Física, Joaquim José Soares Neto,
vai assumir a direção-geral.
Fonte: Clipping TRF-1
|