| FMI:
inflação pode impulsionar risco de recessão mundial
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou
nesta quinta-feira em leve alta sua previsão de crescimento mundial
deste ano, para 4,1% em vez de 3,7% em abril, e alertou para a inflação.
"Ainda há um risco de recessão mundial, e em geral
os riscos continuam sendo os mesmos em relação a abril",
destacou Johnson. "Mas a situação se tornou mais complicada
desde abril por causa do problema da inflação", acrescentou.
A instituição revisou sua previsão porque o desaquecimento
do primeiro trimestre foi menos pronunciado que previsto, explicou um
relatório sobre o tema.
Isto se traduz em um cenário mais otimista para os Estados Unidos,
que devem registrar um crescimento de 1,3% este ano em vez de 0,5%, mesmo
se a economia deva sofrer leve desaceleração no segundo
semestre.
Mas o Fundo não evocou mais a possibilidade de uma "recessão
leve" da primeira economia mundial, como havia feito no relatório
de abril.
"A resistência dos consumidores continua empurrando a economia
americana", destacou o economista do FMI, Simon Johnson. Johnson
frisou que os Estados Unidos não registrariam "dois trimestres
consecutivos de crescimento negativo", o que corresponde à
definição comumente admitida da recessão.
Para a zona euro, a revisão foi mais moderada: 1,7% em vez de 1,4%
previsto em abril. Para a França, o FMI indicou um crescimento
de 1,6%, contra 1,4% de três meses atrás.
No entanto, a economia mundial vem atravessando uma fase ruim, advertiu
o Fundo, que prevê um nítido desaquecimento para o segundo
semestre antes de um reencaminhamento progressivo no próximo ano.
O FMI também revisou suas previsões de alta dos preços
para este ano, a 3,4% para os países industrializados (em vez de
2,6%) e a 9,1% para as economias emergentes (em vez de 7,4%).
O Fundo, que manifestou sua preocupação cada vez maior com
relação à inflação, explicou principalmente
este fenômeno pela disparada dos preços do petróleo
e das matérias-primas. Pessimista, o FMI advertiu que as "pressões
sobre os preços não irão, sem dúvida, se atenuar
em um futuro próximo".
Neste contexto, o FMI considerou que "é necessário
fazer um esforço multilateral para combater as causas e as conseqüências
da crise".
Do ponto de vista das políticas monetárias, os dirigentes
"vêm enfrentando um ambiente difícil, porque devem controlar
a alta das pressões inflacionárias sem perder de vista o
risco de desaceleração do crescimento".
O Fundo fez, no entanto, uma nítida distinção entre
as regiões.
Nas regiões avançadas, existem atualmente mais razões
para enrijecer a política monetária do que antes da alta
recente dos preços do petróleo, mas isso ainda não
se tornou obrigatório porque as expectativas de inflação
e o custo da mão-de-obra estão sob controle e o crescimento
é pouco dinâmico.
Mas em inúmeros países emergentes, "um aperto da política
monetária e uma disciplina orçamentária mais rigorosa
seriam bem-vindos e, ainda, em alguns casos, com uma gestão mais
flexível das taxas de câmbio", segundo o FMI.
O Fundo destacou, por fim, que a situação continua difícil
nos mercados financeiros, e que mesmo se as medidas adotadas e as recapitalizações
bancárias atenuaram os temores de uma implosão do sistema
financeiro, os mercados continuam frágeis.
"Com isso, as condições de crédito dos países
avançados devem continuar tensas nos próximos trimestres",
anunciou o FMI.
Fonte: Terra
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